Huawei: saiba mais sobre a gigante chinesa dos smartphones

Tratando-se de smartphones, os brasileiros já estão acostumados com marcas que disputam a liderança do mercado há alguns anos. Apple, Samsung, Motorola: você provavelmente já teve um ou mais aparelhos dessas fabricantes. Contudo, de um tempo para cá, outro nome vem chamando atenção: a chinesa Huawei.

Tanto a Huawei como a Xiaomi, as gigantes do ramo das telecomunicações na China, têm investido em novas tecnologias e buscam cada vez mais espaço, ganhando destaque no mercado internacional. 

Entenda melhor de onde veio a Huawei, o que seus aparelhos oferecem em comparação com os concorrentes e como a empresa está posicionada no Brasil.

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O que é a Huawei?

A multinacional foi fundada em 1987, na cidade de Shenzhen, por Ren Zhengfei, ex-militar do Exército de Libertação Popular. Ao contrário de outras empresas chinesas, a Huawei buscou a expansão para o mercado internacional logo nos seus primeiros anos. Atualmente, possui o título de maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo. Além disso, é a segunda maior fabricante de smartphones, perdendo apenas para a Samsung. 

A empresa segue em ritmo de crescimento. Em 2018, teve faturamento recorde de US$ 105 bilhões (20% a mais do que 2017) e lucro de US$ 9 bilhões (25% a mais). No ranking BrandZ 2019 das marcas mais valiosas do mundo, feito pela empresa Kantar, a Huawei figura entre as 50 primeiras, sendo a segunda chinesa no ramo de tecnologia com maior valor de marca.

Por outro lado, a empresa enfrenta nos últimos tempos uma série de polêmicas, estando envolvida em um contexto maior de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China que abordaremos no tópico final deste artigo. 

Huawei no Brasil

A Huawei chegou a produzir celulares no Brasil em 2013. Naquele momento, iniciou com uma fábrica no município de Jundiaí, interior do estado de São Paulo, de onde saiu o modelo Ascend G510. O smartphone foi um aparelho de classe intermediária, lançado na época por R$ 700. No entanto, as vendas no Brasil não foram o suficiente para que a empresa ficasse por aqui.

Em 2018, a empresa fechou uma parceria com a Positivo para lançar por aqui o Huawei P20 Pro, além de outro modelo intermediário da linha Nova. O acordo acabou sendo desmanchado posteriormente. Ainda assim, a Huawei anunciou que não desistiria do mercado brasileiro, fatia significativa para a meta da empresa de se tornar a líder mundial entre as fabricantes de smartphones até 2020.

Por fim, em maio de 2019, o retorno oficial aconteceu. A Huawei voltou com produtos criados sob medida para os consumidores brasileiros. A empresa chegou apostando em uma linha premium com dois modelos: o Huawei P30 Pro e o P30 Lite – exclusivo para o Brasil. Conforme a avaliação de especialistas ao jornal Estadão, a estratégia foi acertada. Isso porque os brasileiros já não estão mais comprando o primeiro celular, mas trocando seus aparelhos por modelos melhores.

Também em 2019 a empresa anunciou investimento de US$800 milhões em São Paulo, saiba mais sobre isso neste link.

Huawei P30 Pro e P30 lite

O grande diferencial anunciado pela empresa para os modelos é a qualidade da câmera. Ou melhor, do seu conjunto de câmeras. Ambos os modelos ostentam quatro lentes: três traseiras e uma frontal. 

O P30 Pro foi eleito o smartphone com a melhor câmera do mundo. Ele possui uma lente grande-angular de 40 megapixels, uma ultra grande-angular de 20 megapixels, um sensor telefoto de 8 megapixels e uma modo selfie de 32 megapixels. 

Por sua vez, o P30 Lite pode chamar atenção por pertencer à mesma linha e apresentar preços significativamente mais baixos. Porém, o desempenho do aparelho também é significativamente menor do que o modelo Pro da marca. Na realidade, o P30 Lite ainda que anunciado como um dispositivo parte de uma linha premium, assemelha-se muito a outros aparelhos de linhas intermediárias presentes no mercado.

As diferenças entre os dois modelos não se resumem à qualidade das câmeras. O P30 Lite apresenta no geral um desempenho muito inferior ao modelo Pro, de alto desempenho. Na capacidade de processamento, por exemplo, o P30 Pro é ideal para rodar jogos e programas mais pesados (processador Kirin 980), enquanto a versão Lite pode dar conta do recado, mas possui um desempenho bem inferior (processador Kirin 710).

Vale a pena?

Em resumo, o Huawei P30 Lite pode ser uma boa aposta se você procura um smartphone intermediário, pois ainda entrega um desempenho e uma qualidade de imagem superior a alguns concorrentes da mesma faixa de preço. Porém, se você está disposto a desembolsar mais dinheiro por um smartphone top de linha, o modelo P30 Pro pode ser o que você procura.

A versão Pro chegou ao Brasil em maio de 2019 custando oficialmente R$ 5,5 mil, enquanto o P30 Lite foi lançado por R$ 2,5 mil (8 GB de RAM e 128 GB de memória interna). Os modelos já podem ser encontrados por valores mais em conta. No início de agosto, a empresa inaugurou pontos de venda em Brasília, Campinas e no Rio de Janeiro oferecendo descontos significativos.

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Veja as fichas técnicas

Huawei P30 Pro

Sistema Operacional – Android 9 EMUI 9.1 Pie
Dimensões – 73,4 mm (largura) x 158 mm (altura) x 8,41 mm (profundidade)
Peso – 192g (bateria inclusa)
Tela – 6.47 polegadas / OLED / 1080×2370 pixels / 16,7 milhões de cores
Processador (Frequência de CPU) – 2x 2.6 GHz Cortex-A76 + 2x 1.92 GHz Cortex-A76 + 4x 1.8 GHz Cortex-A55
Modelo de CPU – Kirin 980
Modelo de GPU – Mali-G76 MP10
Memória – 8 GB (RAM) / 128 GB Exp.
Bateria – LiPo 3200 mAh
Câmera – 40 Mp + 20 Mp + 8 Mp
Resolução – 7303 x 5477 pixels
Tamanho dos sensores – 1/1,7” + 1/2.1” + 1/4″
Abertura – F 1.6 + F 2.2 + F 3.4
Resolução de gravação – 4k (2160p)

Veja todas as configurações do P30 Pro no site da fabricante.

Huawei P30 Lite

Sistema Operacional – Android 9 EMUI 9.1 Pie
Dimensões – 72,7 mm (largura) x 152,9 mm (altura) x 7,4 mm (profundidade)
Peso – 159g (bateria inclusa)
Tela – 6.12 polegadas / LCD TFT (IPS) / 1080×2312 pixels / 16,7 milhões de cores
Processador (Frequência de CPU) – 4 x Cortex-A73 2.2 GHz + 4 x Cortex-A53 1.7 GHz
Modelo de CPU – Kirin 710
Modelo de GPU – Mali-G51 1 GHz
Memória – 4 GB (RAM) / 128 GB Exp.
Bateria – LiPo 3340 mAh
Câmera – 24 Mp + 8 Mp + 2 Mp
Resolução – 5657 x 4244 pixels
Abertura – F 1.8 + F 2.5
Resolução de gravação – Full HD

Veja todas as configurações do P30 Pro no site da fabricante.

A guerra comercial entre EUA x China

Você já ouviu falar na internet 5G e o que está em jogo com a sua chegada? Além de representar a próxima geração de telefonia móvel, a tecnologia 5G promete trazer grandes revoluções. Mudanças não apenas na maneira como usamos a internet, mas também na forma como nos relacionamos com objetos ao nosso redor.

Em breve, devido a transmissões de dados em altíssima velocidade, uma quantidade gigantesca de dispositivos – desde smartphones a eletrodomésticos e outros sensores – estarão conectados entre si e com os seus usuários. E quem lidera a corrida da tecnologia 5G, até então, é a Huawei.

Contudo, se por um lado a empresa é uma das que mais investem em pesquisa de tecnologia, por outro, também passa por turbulências. Entre elas, processos por roubo de propriedade intelectual. Apesar de ser uma empresa privada presidida pela família do fundador, a Huawei é formada por uma participação societária dividida entre os seus empregados. Por esse motivo, surgem acusações de que a empresa seria controlada pelo governo chinês.

Entenda as acusações de espionagem

FBI e CIA já acusaram a Huawei de espionagem. De acordo com os estadunidenses, a empresa estaria instalando portas de entrada em seus produtos que permitiriam a entrada de hackers. Contudo, nenhuma prova concreta de espionagem ainda foi apresentada e a fabricante nega sofrer controle por parte do governo.

Ainda assim, o governo dos Estados Unidos vem impondo uma série de embargos à empresa por meio de decretos do presidente Donald Trump. Em maio, a Huawei foi colocada em uma lista de empresas que representam risco à segurança nacional do país. O Google chegou a anunciar que, por conta da medida, teria que parar de fazer negócios com a empresa.

Por um lado, a fabricante chinesa perderia o acesso ao sistema operacional Android mas, por outro, o Google perderia cerca de 800 milhões de usuários.

A estratégia de fechamento dos EUA, maior mercado do mundo, representa uma barreira poderosa aos planos da gigante chinesa em dominar o mercado, colocando a empresa no epicentro de uma guerra comercial entre as duas maiores potências mundiais que determinará o futuro da tecnologia.

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