Banimento da Huawei nos Estados Unidos prejudica faturamento da Qualcomm

A suspeita de uma possível ameaça de infiltração por espionagem nos Estados Unidos levou o país a adotar medidas restritivas à empresa chinesa Huawei em 2019. O banimento da Huawei nos Estados Unidos prejudica o faturamento da Qualcomm no mercado americano, já que a marca chinesa é uma das principais compradoras dos chips Snapdragon.

Aliás, a Huawei é uma das empresas que mais compram produtos fornecidos pelos Estados Unidos. Com o banimento, a empresa deverá deixar de comprar equipamentos e tecnologias das fornecedoras americanas, entre elas a Qualcomm, que com o banimento possivelmente registrará queda no  faturamento.

A Huawei foi criada há 32 anos pelo ex-militar Ren Zhengfei e é a maior fornecedora de equipamentos de redes de telecomunicações. Além disso, é considerada a segunda maior fabricante de smartphones do mundo. Só no ano passado a empresa faturou US$ 105 bilhões.

Até o momento, a Huawei não é muito conhecida no Brasil. Na China ela é bastante popular, suas operações correspondem a mais da metade das receitas chinesas, e abrange 170 países no mundo. Agora, com o impasse com os EUA pode perder credibilidade no mercado.

Por que o governo americano baniu a Huawei?

O governo americano vem acusando a empresa chinesa de espionagem. Além disso, de roubar tecnologia dos Estados Unidos. A empresa Huawei nega qualquer uma das acusações. Aparentemente, são apenas boatos infundados pelo governo americano.

Aliás, vale saber que Donald Trump tem grande ambição pela tecnologia desenvolvida na China. Para seu governo, as tecnologias chinesas ameaçam a soberania da produção americana. Bem se sabe que os EUA querem estar à frente da economia do mundo. Em 2018, a Huawei era uma das líderes no mercado de smartphones, ficando atrás apenas da Samsung. 

Segundo as agências de inteligência americanas existe a possibilidade que a Huawei mantenha relações com Pequim. E mais: há suspeitas de que seus seus equipamentos sejam portas de espionagem chinesa. Mas até o momento nada foi constatado. 

Apesar da falta de provas, uma nova lei na China teria trazido à tona a possibilidade real de espionagem. De acordo com a nova lei, as empresas seriam obrigadas a ajudar o governo quando requisitadas. Além disso, teria ocorrido um grampo telefônico de um ex-fornecedor da fabricante e agências de espionagem norte-americana. O fato aconteceu na International Consumer Electronics Show (CES), a maior feira de tecnologia que ocorre anualmente em Las Vegas.

Questões econômicas

Com o banimento, o governo americano pode frear os investimentos na empresa chinesa e possibilitar uma guerra comercial com a China. Desde que foi anunciado o banimento, os Estados Unidos vêm conseguindo pressionar o mercado tecnológico a não investir na Huawei. O que fecha o cerco de negociações e crescimento da empresa. Mas isso também pode ser um tiro no pé, pois pode postergar a implementação da tecnologia 5G em nível mundial. 

Outras empresas estão envolvidas nessa guerra comercial tecnológica com Donald Trump. Não somente a Huawei se vê ameaçada, mas também empresas americanas que negociavam com produtos chineses. Estão na lista a Apple e fabricantes de videogames como Microsoft, Sony e Nintendo.

Dessa forma, a decisão pode impactar companhias americanas que nem imaginávamos. Os números já são reais. Dos US$ 70 bilhões gastos pela Huawei em componentes no ano passado, cerca de US$ 11 bilhões foram para empresas americanas. Entre elas estão Qualcomm, Intel e Micron.

Além disso, é preciso compreender que o EUA sai perdendo, pois a Huawei revende seus produtos tanto na China, quanto para países da Europa, Oriente Médio, África, Ásia Pacífico. Apenas 6,6% dos seus clientes são das Américas. 

Crescimento econômico versus banimento

Mesmo sendo um dos alvos dos Estados Unidos, a Huawei obteve 23,3% de receita no primeiro semestre em 2019 em comparação ao mesmo período do ano anterior. 

Com o banimento pelos Estados Unidos a empresa Qualcoom, que havia negociado com a Apple, pode perder faturamento. A Qualcoom é a líder no ramo de chips para modems e recentemente entrou em acordo com a Apple para produção da tecnologia 5G. Saiba mais sobre essa negociação neste artigo. 

A Qualcoom é apenas uma das prejudicadas. A receita da Micron, um dos fornecedores americanos, caiu em 13% e o lucro líquido 34%, em comparação a 2018. Os dados foram publicados no mercado financeiro MarketWatch, no final de junho.

Apesar do banimento, o criador da empresa, Ren Zhengfei, acredita que “a proibição vai ter um impacto negativo apenas em produtos de gama inferior da Huawei”. A declaração foi divulgada pela Agência Brasil. Ren ainda acrescentou que o banimento não deve prejudicar a atuação da Huawei como sendo a líder em tecnologia no mundo. 

Agora o que pode mudar a visão da empresa é sua saída à frente na disponibilidade da tecnologia  5G.

Proibição nos Estados Unidos

A medida dos Estados Unidos em colocar a Huawei numa lista de entidades restritas, prejudica o faturamento de empresas fornecedoras de produtos tecnológicos para o mundo. A Huawei está na lista com mais outras 70 empresas banidas, e só pode comprar peças e componentes das fornecedoras americanos, caso tenha aprovação de Donald Trump.

De acordo com uma entrevista com Ren, para o site MarketWatch “as restrições também significam uma perda de bilhões de dólares em vendas anuais potenciais para fornecedores americanos”.

Além disso, com a medida, o presidente dos EUA, impôs que a suspensão acabaria caso Pequim concordasse com um acordo sobre disputas comerciais e tecnológicas. A ideia do governo americano é aumentar as tarifas dos EUA sobre as importações chinesas. O que não foi aceito pela empresa Huawei, pois contradiz com os ideais comerciais do país. Assim, continua mantido o banimento da empresa Huawei nos Estados Unidos.

As sanções dos EUA devem reduzir as vendas de smartphones da Huawei em US $ 30 bilhões, nos próximos dois anos. A medida já causou o rompimento de ofertas de produtos. A partir de agora, a empresa chinesa não vai mais disponibilizar aplicativos Google em seus aparelhos.

Huawei no Brasil

Com mais de 180 mil funcionários, a Huawei, apesar de não ser tão popular no Brasil, é uma das principais fornecedoras de equipamentos. A empresa vem investindo no fornecimento de equipamentos para operadoras de telecomunicações brasileiras. Assim, elas está presente em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Recife. Por exemplo, a Claro e a Net são parceiras da empresa no país.  

Em 2018, a Huawei possibilitou a primeira transmissão de vídeo em 8K por uma rede 5G no país. Apesar de sabermos que o 5G pode demorar a chegar no Brasil. Ademais, a empresa também inaugurou uma central de pesquisas, voltada para a internet em Sorocaba. 

Em relação ao mercado de Smartphones, a Huawei lançou dois novos modelos no país. E tem pretensão de crescer no mercado brasileiro. O grande embate para o investimento no Brasil é a questão do imposto alto. Por isso, a empresa tentará a produção local em 2019. 

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