99 Táxi atualiza app com mais recursos de segurança

O aplicativo de viagens 99 Táxi anunciou novos recursos de segurança no final de 2019. O objetivo é trazer mais tranquilidade tanto para passageiros quanto para motoristas. Será possível gravar o áudio durante as corridas, bloquear usuários e escolher um filtro feminino, com o qual as motoristas mulheres poderão optar por transportar apenas passageiras do mesmo sexo.

A opção de passageiras selecionarem apenas motoristas mulheres já existiu no passado. Porém, de acordo com a 99 Táxi, ainda não voltou a ser habilitada porque é preciso aumentar a base de motoristas mulheres na plataforma.

Também há mudanças para combater perfis falsos. O aplicativo agora irá sempre mostrar o nome vinculado ao CPF do usuário, como uma maneira de aumentar a confiabilidade tanto no motorista quanto no passageiro. Para evitar a criação de perfis falsos, alguns usuários terão que tirar e enviar uma selfie dentro do app. O pacote de segurança pode incluir ainda a exigência da selfie de alguns passageiros antes de a viagem ser iniciada.

Junto a isso, o 99 apresentou um manifesto de segurança para tentar aumentar a confiança dos usuários nos serviços de mobilidade e para melhorar o funcionamento da plataforma em geral. Nesse manifesto, pede que passageiros, motoristas, governos e empresas se unam em pequenos gestos – como o passageiro verificar se o motorista é ele mesmo, fazer avaliação após a corrida – para tornar tudo mais seguro.

Saiba mais sobre os principais recursos de segurança implementados pelo 99 Táxi, conheça melhor a empresa por trás do aplicativo e confira um pouco mais sobre o polêmico mercado dos aplicativos de transporte.

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Gravação de conversa no 99 Táxi

Assim como a Uber fez recentemente, o 99 Táxi incluirá no aplicativo uma opção que possibilita ao usuário ou motorista gravar o áudio da conversa dentro do carro caso se sintam incomodados. Segundo a empresa, o recurso já é usado há mais de um ano no aplicativo da Didi, empresa chinesa dona do 99, na China.

A forma como a gravação será implementada no Brasil será diferente da na China por causa de leis diferentes, mas o 99 ainda não sabe exatamente como será por aqui.

As gravações podem ser usadas como provas de abuso sexual, por exemplo. A vigilância também pode contribuir para inibir possíveis ações violentas por parte de quem sabe que está sendo gravado.

Bloqueio de motoristas ou passageiros

Outra função que o 99 Táxi implementará é o bloqueio de corridas. Funcionará da seguinte forma: se a experiência da viagem com a outra pessoa não foi boa, motoristas e passageiros poderão bloquear, de forma anônima, a pessoa com quem realizaram a corrida para que elas não se cruzem mais dentro do 99.

Ou seja, além de oferecer um feedback por meio de notas e comentários, o motorista ou passageiro também poderá tomar uma atitude mais drástica para banir aquela pessoa de seu pareamento de corridas. O bloqueio pode ocorrer por qualquer motivo e o seu objetivo é impedir situações desagradáveis.

De mulher para mulher

Outro recurso que o app implementará é a solução chamada “99 Mulher”. Ela permitirá que motoristas mulheres apenas recebam passageiras mulheres em seus carros — da mesma forma que a Uber fez recentemente e igual ao que apps exclusivamente femininos já fazem há tempos, como o Lady Driver.

Mas, por trás dessa novidade, fica a dúvida: por que o 99, assim como a Uber, não permite o inverso —ou seja, que passageiras mulheres viagem apenas com motoristas do sexo feminino? Segundo a empresa, isso está nos planos e deve aparecer assim que a base de condutoras aumentar na plataforma.

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Foto de passageiro e selfie antes da viagem

Há tempos que motoristas pedem que plataformas como 99, Uber e Cabify exijam fotos de passageiros no ato do cadastro, assim como é feito com os condutores. E o primeiro passo para isso foi dado pelo 99: o app começará a sugerir que usuários se cadastrem com uma foto no sistema para aumentar a segurança. Isso será só uma sugestão, e, a princípio, não será obrigatório que passageiros incluam uma foto.

Contudo, o segundo recurso envolvendo fotos de passageiros não será opcional. O 99 Táxi poderá pedir que usuários tirem uma selfie antes de iniciarem uma corrida. Essa checagem ocorrerá aleatoriamente ou com usuários que o app entender que possam ter o potencial de causar problemas em uma viagem.

Existem vários fatores que podem ativar esse pedido via inteligência artificial, como comportamento do passageiro no app, frequência de corridas, se baixou o app várias vezes, histórico do usuário, horário da corrida e forma de pagamento, entre outros.

Sobre o 99 Táxi

O aplicativo 99 Táxi é o segundo mais utilizado pelos brasileiros para se locomover pelas cidades, atrás apenas do Uber.

No início de 2018, a empresa se tornou o primeiro unicórnio brasileiro. Ou seja, a primeira startup nacional com valor de mercado de 1 bilhão de dólares. O título veio após o 99 ser comprado pela chinesa Didi Chuxing. A Didi é, atualmente, a maior plataforma de transporte privado do mundo.

Conheça a história por trás do 99 Táxi

Em 2012, Ariel Lambrecht viajou de férias para a Alemanha. Quando resolveu pegar um táxi, descobriu que estava na moda usar aplicativos pelo celular para chamar o carro. Foi a partir dessa experiência que Ariel teve a ideia de criar algo similar no Brasil. Ele começou a trocar mensagens com Renato Freitas, seu sócio na startup Ebah, uma rede social para compartilhamento de conteúdo acadêmico.

Quanto voltou ao País, a dupla, que havia estudado Mecatrônica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, convidou Paulo Veras, um colega de turmas anteriores do mesmo curso, para se juntar à empreitada. Em junho de 2012 surgia o 99, um aplicativo de transporte que recebeu cerca de R$50 mil dos três empreendedores para chegar ao mercado.

Ariel, Renato e Paulo começaram a empresa sem recursos e com uma ideia na cabeça. Numa pequena casa na Avenida Ceci, próximo ao bairro do Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, Ariel recebia pessoalmente os taxistas para fazer o cadastro e configurar o celular para usar o aplicativo.

Na época, o 99 competia com o Easy Taxi e o SaferTaxi. Os empreendedores não tinham dinheiro para anunciar ou expandir para outras cidades.

A primeira decisão foi focar-se exclusivamente em São Paulo. A segunda, desenvolver um aplicativo que fosse muito bom para o taxista, com o objetivo de ganhar mercado com o boca a boca entre eles. Ao contrário dos rivais, eles não cobravam nenhuma taxa.

Vieram os motoristas, os clientes e, com eles, o dinheiro dos investidores, que permitiu a expansão e o crescimento do 99. A empresa já tem mais de mil funcionários e está presente em 400 cidades no Brasil. Além disso, contabiliza 300 mil motoristas, tanto taxistas quanto motoristas de carros particulares. Aproximadamente 14 milhões de passageiros já usaram seu aplicativo.

O 99 Táxi e o mercado de aplicativos de transporte

Nas principais capitais brasileiras, mais da metade dos habitantes usam aplicativos de transporte no dia a dia. No Brasil, o Uber detém cerca de 60% do mercado, o dobro do vice-líder 99. O espanhol Cabify, que em junho de 2019 se juntou ao brasileiro Easy, fica na terceira colocação, segundo estimativas de mercado. Ainda segundo essas estimativas, o Brasil é o segundo maior mercado do Uber no mundo.

Agora é bom saber que o Uber e o 99 Táxi possuem uma relação bastante próxima. Em 2013, o Uber tentou entrar no território chinês, onde a hoje dona do 99 Táxi, a Didi, já liderava. Em 2016, o aplicativo americano foi obrigado a deixar a China depois de acumular perdas que representam US$2 bilhões.

Porém, a saída não foi tão desastrosa para o Uber, pois a Didi comprou a operação chinesa da empresa e o aplicativo americano ficou com uma participação minoritária na Didi. Ademais, conta com direito a uma cadeira no conselho.

As duas empresas também têm em comum o fato de ambas contarem com participação do grupo japonês SoftBank. Isso tem gerado dúvidas sobre o futuro da briga entre esses dois aplicativos. Há quem acredite que com um investidor em comum e o fato de terem participações cruzadas – Uber tem uma fatia da Didi e esta tem uma do Uber – futuramente elas possam dividir os territórios em que cada uma vai atuar.

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