342Amazônia: conheça o app de ativismo ambiental

342Amazônia

Protestar atualmente não funciona como em outras décadas quando se discordava das decisões dos governantes. A revolução digital marca um período de mudanças rápidas e constantes não apenas na evolução da tecnologia em si mas na maneira como as pessoas interagem e fazem uso dela. Neste artigo vamos tratar de um exemplo prático que nasceu nesse contexto: o 342Amazônia. Seus organizadores descrevem a plataforma como “o primeiro aplicativo de ativismo ambiental brasileiro”.

A todo instante é discutido nas empresas de todos os setores como se adequar e não ficar para trás. Contudo, para além dos impactos mais evidentes no mercado, existe um processo de reorganização social que altera, entre diversas outras condutas, as formas de mobilização da sociedade.

Compartilhamento de campanhas, assinatura em petições online e doações para entidades são exemplos de uma movimentação também chamada de ciberativismo. Com ele surgem vários fatores que complexificam o processo de mobilização: desde a facilidade de organizar pelas redes sociais uma manifestação nas ruas até a disseminação de notícias falsas — entrave mais recente com o qual ainda estamos aprendendo a lidar.

Aqui você entende de onde surgiu o 342Amazônia, por que ele foi criado e como funciona.

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O Movimento 342

O 342Amazônia foi lançado oficialmente no dia 4 de junho de 2019, durante um evento no Rio de Janeiro. Disponível para download na Play Store e na App Store, o aplicativo é uma iniciativa do grupo Movimento 342 em parceria com a Mídia Ninja e o Greenpeace Brasil.

Encabeçado pela classe artística e por políticos com pautas progressistas, o Movimento 342 nasceu em 2017. Na ocasião, os organizadores lançaram o “342 Agora”, campanha que pedia pressão por parte da população à Câmara dos Deputados. O objetivo era que se aceitasse a denúncia de corrupção contra o então presidente Michel Temer. O nome vem daí. Um dos quóruns de votação da Câmara para aprovação de decisões é de 2/3 do plenário — 342 votos.

Naquele mesmo ano mais de 100 artistas visuais e de outros setores culturais se reuniram no apartamento da produtora Paula Lavigne para organizar a campanha “342 Artes”. A ação foi resposta à censura de exposições como a Queermuseu no Santander Cultural em Porto Alegre e a performance La Bête, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Além disso, em 2018 o coletivo também se manifestou contra a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.

342Amazônia

O movimento em defesa da Amazônia iniciou também em 2017. Em agosto o grupo se organizou para protestar contra um decreto de Michel Temer que autorizava a exploração mineral da região da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). No vídeo, artistas como Mariana Ximenes, Caetano Veloso, Christiane Torloni e Deborah Evelyn aparecem criticando a medida do presidente. Por fim, após pressão de vários grupos ambientalistas e repercussão internacional, Temer acabou recuando e revogou o projeto.

Em 2019 o grupo continuou levantando a bandeira ambiental. A intensificação das queimadas e as políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro levaram o grupo às ruas em agosto. Pelas redes sociais, o Movimento 342 promoveu a manifestação que reuniu cerca de 15 mil pessoas, de acordo com os organizadores. O protesto foi também resposta às declarações do presidente responsabilizando ONGs pelo fogo na Amazônia.

No site da 342Amazônia é destacado: “2019 será um ano decisivo para a causa ambientalista no Brasil e no Mundo. A onda de retrocessos socioambientais, impulsionada em grande parte pelos ruralistas, vem ganhando fôlego no novo governo.”

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Lançamento do aplicativo

Em junho, durante um evento no Circo Voador, casa cultural carioca, o app da 342Amazônia foi lançado. A ocasião contou com um show liderado por Caetano Veloso e a presença de figuras como Luisa Mell, Maria Gadú e Letícia Sabatella. De acordo com Paula Lavigne em entrevista à Folha de S. Paulo, a ideia do aplicativo é facilitar a vida de quem quer mas não sabe como se engajar em causas ecológicas.

Também no site 342 Amazônia, consta: “Iniciativas do Congresso e no novo governo têm permitido mais veneno na nossa comida, mais desmatamento, menos rigor nos licenciamentos ambientais, menos fiscalização e mais crimes contra as pessoas e o meio ambiente, como Brumadinho e Mariana. Não podemos mais admitir que os interesses políticos e econômicos estejam acima do nosso direito à vida e a um ambiente saudável.”

A proposta do aplicativo, conforme sua apresentação no site, é dividir-se em três áreas: termômetro, campanhas e informações. O termômetro é uma espécie de medidor de pautas urgentes que estão sendo discutidas pelo governo ou tramitam no Congresso Nacional.

Atualmente, a home do aplicativo conta com três campanhas em destaque. Além da #TodosPelaAmazônia, outras duas brigam contra a liberação de agrotóxicos e a flexibilização da caça: #ChegaDeVeneno e #TodosContraACaça.

Ao acessar a área de cada campanha a plataforma disponibiliza tweets e textos prontos com hashtags, vídeos e materiais gráficos para publicação de posts e stories nas redes sociais. Cada campanha vem com uma área “info”  que busca aprofundar o tema em questão.

Por fim, uma seção de notícias reúne os últimos acontecimentos veiculados pela mídia e relacionados às pautas ambientais. Na prática, a seção está desatualizada desde o início do mês de julho.

O ciberativismo

Citado no início deste artigo, vamos finalizar retomando o conceito de ciberativismo.

Dicio.com — Significado de ativismo: Transformação da realidade por meio da ação prática. / Doutrina ou argumentação que prioriza a prática efetiva de transformação da realidade em oposição à atividade puramente teórica. / Efetivação dessa doutrina ou dessa argumentação, através da defesa de uma causa ou da transformação da sociedade por meio da ação e não da especulação; militância.

Um primeiro olhar para ações de ativismo digital pode julgá-las como ineficazes. Afinal, tweetar uma hashtag em prol da Floresta Amazônica pode ser o suficiente para acalmar a indignação de algumas pessoas. E, em alguns casos, é o que de fato acontece. Discussões são levantadas e em pouco tempo esfriam. Petições são criadas e enterradas pelo assunto seguinte.

No entanto, o ciberativismo enquanto uma forma complementar de politizar e mobilizar a sociedade já demonstrou também sua força e capacidade de impacto no “mundo real”. A onda de revoltas e protestos no norte da África e no Oriente Médio, popularizada como Primavera Árabe, serve como maior exemplo — até o momento — do poder das redes sociais na organização de movimentos ativistas. Iniciada com manifestações na Tunísia em 2010, o movimento se estendeu por dezenas de países, derrubou governantes e iniciou guerras civis.

Além disso, no Brasil também já experimentamos um pouco do que essa força de mobilização iniciada na internet é capaz. É o caso dos protestos de junho de 2013, fenômeno que até hoje é ponto de debate e divergência entre cientistas políticos.

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